Associação de fãs do Festival RTP da Canção
e do Festival Eurovisão da Canção
Portugal escolheu no dia 9/3 a canção que representou o país na Eurovisão deste ano, em Malmö, Suécia: Grito, canção composta e interpretada por Iolanda, e vencendo com a pontuação máxima do júri e o 2º lugar do público, uma vez que o 1º lugar do televoto foi atribuído a João Borsch, com a canção “…Pelas Costuras”. Antes dos espetáculos decorrerem, tivemos a oportunidade de falar um pouco com os intérpretes e compositores das canções. Inicialmente, quisemos saber mais sobre as expetativas dos artistas, o significado das canções que criaram e interpretam e o impacto que toda esta experiência teve nas suas vidas.
Silk Nobre: “Estar aqui no Festival da Canção é uma oportunidade de passar uma mensagem. É tempo de mudar. A mensagem é urgente, não ignorar a conjuntura daquilo que se passa no mundo. O papel do artista é concertar, unir as pessoas em torno de uma ideia que é fundamental hoje em dia: a vida humana, a paz no mundo, a nossa participação como cidadão, não ficarmos só a ver as coisas acontecer, mas assumirmos a responsabilidade sobre aquilo que se está a passar no mundo. E esta plataforma, que é o festival, que está muito bem organizada, feita com muito amor para nós, é uma oportunidade de veicular uma mensagem do mundo. Para nós, essa é a missão do artista.
Rita Onofre: “Acho que nunca tive oportunidade de fazer nada do género, nem estar num palco tão grande como tive agora. Portanto, tudo isto tem sido uma viagem maravilhosa e de grande crescimento e também conhecer e estar em contacto com outras nações e outras culturas e outras formas de fazer música.
Noble: “Acho que ganhar o festival e poderes representar o nosso país, a Eurovisão acima de tudo, seria uma sensação e um orgulho enorme, porque dá-nos a oportunidade de, através da arte que nós fazemos, representar a cultura do nosso país e representar as pessoas e quem nos ouve isso e é muito bonito e é uma responsabilidade muito grande. Portanto, também há muitos nervos, mas deixa-nos muito felizes. Pelo menos eu falo por mim, ter essa oportunidade era algo inacreditável.”
Buba Espinho: “Eu, desde que comecei a minha carreira, sempre foi com o intuito de potenciar aquilo que são as minhas raízes, começando obviamente no Alentejo. Não é à toa que o cante alentejano é Património Imaterial da Humanidade e o fado também é um sinal de que a nossa música, e que a música que se faz cá em Portugal é muito boa. E sim, sinto que é uma oportunidade de levar a minha região e o cante alentejano - que não é só Alentejo, é Portugal também -, a nossa poesia e as nossas melodias que acho que são incríveis.”
Nena: “É mesmo especial criarmos estas ligações tão fortes com as pessoas que estão à nossa volta. Acho que não há nada mais especial do que sentirmos esse apoio uns dos outros. E sabemos que no fundo, isto é música e só queremos estar a partilhar isto uns com os outros e com Portugal, com as pessoas lá fora.
Iolanda: “É um espaço bonito de criação e de amizade e de atenção. Há sempre tensão, mas eu acho que o mais importante é estarmos aqui com a certeza de que fizemos tudo aquilo que podíamos ter feito para que a nossa voz fosse ouvida. De resto, acho que é um bocado deixarmos as coisas acontecerem, mas o mais bonito é mesmo partilharmos isto entre todos. Já tive em alguns programas antes, e este é sem dúvida o programa mais saudável, e isso é muito bom.”
Duarte Carvalho (No Maka): “Estarmos aqui, sendo que o nosso projeto vem de outras andanças, um projeto que nasceu como um projeto de DJs e discotecas, e estar a partilhar o palco com malta que se apresenta de outra forma, com malta que faz muito boa música e, sobretudo, com artistas incríveis está a ser uma experiência muito fixe, e eu quero agradecer a toda a gente o apoio e a atenção que nos têm dado. Para nós tem sido incrível, e também para a Maria, que nos tem dado muita alegria, apenas com 17 aninhos.”
Cristina Clara: “Isto é um sinal de reconhecimento do nosso trabalho, da nossa capacidade enquanto criadores. Portanto, para mim foi uma surpresa e um sim imediato. Todo o processo surpreendeu-me muito positivamente, pela forma como está organizado, pela liberdade criativa que nos dá também. Também senti que tem sido um benefício em todos os aspetos. E depois, a partir daí, eu conheci outros artistas que não conhecia tão proximamente e ter a oportunidade de privar, conversar, trocar. É já em si uma vitória.
Rita Rocha: “Eu honestamente venho e estou com zero expectativas. Eu acho que Portugal vai muito bem representado com qualquer uma das canções. Estou muito feliz de estar aqui. É um momento muito fixe, de partilha de canções, de partilha de culturas e é um privilégio muito grande para nós estar aqui. Acho que posso falar por todos a dizer isto. E sim, seja o que Deus quiser.”
Leo Middea: “Para mim é uma honra, e eu estou muito feliz de estar aqui assim, de chegar a esse lugar. É uma honra imensa poder estar aqui e trazer essa cultura também para o festival que acho muito importante. É claro que seria uma honra para mim também ganhar, mas também eu acho que eu já ganhei também estando aqui, sabe? Então, isso para mim é valioso demais. Então, acho que hoje, só hoje, eu estou bem tranquilo, que eu só quero me divertir, curtir, aproveitar cada momento, cada segundo.”
Beatriz Capote (Perpétua): “Estamos super felizes de estar aqui. Tem sido muito, muito intenso. Técnica, produção e tudo. Pessoas cinco estrelas. E estes artistas, obviamente que admiro imenso. Portanto, está a ser uma experiência incrível e para os meus colegas também. Levamos muito desta experiência.”
João Borsch: “Estar no Festival da Canção já é uma honra para mim. Por isso, acima de tudo, ter chegado aqui e ter feito todo o processo, ter trabalhado com uma equipa, ter passado todo este tempo, ter conhecido toda a equipa da RTP já foi um processo todo muito prazeroso. Por isso, acima de tudo, a honra já está toda recebida.”
Mela: “Nós estamos a competir, mas sinceramente, para mim isto nunca foi uma competição. Isto é uma celebração da música portuguesa. Nós não estamos aqui a ver quem é o melhor artista, quem tem a melhor canção, estamos apenas a ver qual é a melhor canção para levar à Eurovisão, e ponto. Nós somos todos tão diferentes, e toda a nossa arte é tão genuína, e é fantástico ver a quantidade de talento que temos no país e só me deixa triste ser menos consumida. Nós somos todos unidos pela arte.”
LEFT.: “Estamos cá todos para o mesmo. Nós queremos que isto seja um espetáculo bonito e queremos elevar a música portuguesa, que tanto precisa. Os artistas são incríveis e têm tanto talento. O cenário português está a crescer de uma forma muito bonita e sustentável. Só temos a ganhar se nos apoiarmos uns aos outros.”
Mila Dores: “Fico muito contente que a canção esteja a expandir, e estou a receber isso muito bem. O propósito de fazer canções é chegar às pessoas e cantar alto, e acho que a minha canção canta alto e fala alto para chegar ao público internacional.”
Bispo: “Nunca pensei estar aqui. Vi com muito bons olhos o convite, mas nunca na minha cabeça vi essa imagem, mas a verdade é que recebi o convite e fiquei super feliz, porque não tinha visto ainda o hip-hop no Festival da Canção. Já tenho um percurso muito fixe na música portuguesa, mas o Festival vai ser a cereja no meu percurso. Tenho essa sensação e estou muito feliz por estar aqui.”
Filipa: “Vindo de tão longe, da África do Sul, para mim isto é algo grande. É uma honra enorme poder estar aqui, e o público português tem me recebido muito bem e de forma tão amável, então é claro que, para mim, isso já é um grande sentimento. Isto abre-me portas para uma indústria diferente. Eu não faço parte da indústria musical portuguesa, e tem sido incrível ter esta oportunidade como um ponto de entrada.”
Huca: “Para nós, tem sido uma viagem muito bonita, que nos tem aproximado de muita gente, como eu precisei na altura em que compus esta canção, esta celebração à Sara. A composição para mim, estava nesse lugar entre a vontade imensa de chorar a ausência e a saudade, mas também a vontade imensa de só celebrá-la solarmente como ela era. E temos recebido muito carinho das pessoas, por se identificarem com essa vibração que eu trago que é muito africana e que chamo de “olho que chora e anca que balança” ao mesmo tempo.”
João Couto: “O facto de estar aqui em 2024 e estar aqui com uma canção que eu escrevi, trazendo os meus amigos e sendo algo que já queria fazer há muito tempo na minha própria música, é algo absolutamente indescritível. O Festival é uma fase da minha vida que me dá vontade de me transformar de alguma forma e acho que há uma parte de mim que ando a subestimar há anos e anos. É uma felicidade enorme ver que há tantos olhos e ouvidos internacionais nesta fase em que estou a assumir as minhas influências pop e que me faziam feliz quando era miúdo.”
Maria João: “Música é amor. Só o facto de a fazermos, de a estarmos a fazer, não importa o que estamos a dizer, é amor. Nós estamos nus em frente às pessoas e levamos com aprovação e desaprovação na nossa cara. Portanto, este lugar de amor é um lugar que cura, só pelo ato de fazer a música. Fora da mensagem que possa ter ou querer dar, só esse ato de a fazer é um ato amoroso.
E assim se finaliza mais um Festival da Canção! Foi um ano cheio de emoções e de performances espetaculares, e agora, é esperar até ao próximo ano para mais música e entretenimento.
Filipe Cruz